Jeitto
App Jeitto
Da V1 à V2: redesenhando a fintech de quem o banco não enxergava
Visão geral
A Jeitto é uma fintech de pagamentos que oferece uma linha de pequenos créditos pelo celular, voltada às classes C, D e E. Na época do projeto, com o limite liberado no app, o usuário podia fazer recarga de celular, carregar o cartão de transporte, pagar contas e boletos e comprar créditos de serviços digitais, e pagava tudo depois, em uma fatura única. Boa parte desse público vivia à margem do sistema financeiro: trabalhava com dinheiro em espécie, movimentava a economia, mas não aparecia para os serviços de crédito. A primeira versão do app tinha sido construída sem foco em usabilidade nem mapeamento de jornada, e isso pesava na conversão de novos clientes. O redesenho começou com uma consultoria do estúdio PQÑ (Por Que Não?), que conduziu o discovery e propôs um redesign e uma reformulação da experiência do app. Com o fim da consultoria, o projeto passou para as nossas mãos, para dar continuidade à proposta e levá-la até o app em produção.
De 3,0 para 4,6
Entre agosto de 2019 e junho de 2021, a nota do app na Google Play passou de 3,0 para algo entre 4,5 e 4,6.
Base mais que dobrada
Depois do lançamento da nova versão, a procura por contas disparou, e a base de usuários cresceu mais de 100% em menos de um ano.
Um designer, o app inteiro
Como único designer de uma empresa de cerca de 30 pessoas, a frente cobria todo o app, de ponta a ponta, junto com produto, desenvolvimento, dados e risco.
Clareza para todas as idades
O tom de voz e os fluxos foram guiados por quem tem pouca familiaridade com tecnologia, como pessoas mais velhas.
01 O problema

O app na V1
A primeira versão foi feita por um desenvolvedor, a partir do que a direção pedia, sem pesquisa com usuários nem desenho de jornada. O resultado era um app visualmente pouco cuidado, com uma experiência confusa e travada. A home se resumia a uma lista de menus genéricos, como "Compras e Pagamentos" e "Conta Jeitto", e escondia os serviços em vários níveis de navegação.

O cadastro da V1
O ponto mais crítico era a originação. O cadastro tinha seis etapas e passava por 14 telas. Depois de informar CPF e celular, a pessoa recebia um aviso de que teria 40 segundos para responder a cada pergunta de segurança, montada a partir de uma consulta à base da Serasa: "Qual o nome do seu irmão?", "Qual destas empresas você trabalha ou já trabalhou?". Em seguida, o app mostrava nome completo e endereço já preenchidos para confirmação. Para alguém que acabara de baixar o aplicativo, a sensação era de ser vigiado, não acolhido, e muita gente desistia antes de abrir a conta.
02 O processo
Discovery e a proposta do estúdio
O redesenho partiu do discovery feito pelo estúdio PQÑ, com entrevistas e testes de usabilidade com cerca de 8 pessoas em protótipos no Marvel. A pesquisa mapeou as dores dos usuários, e o estúdio propôs um redesign e uma reformulação da experiência do app. Com o fim da consultoria, recebemos o arquivo base e a pesquisa para dar continuidade ao projeto.

Da proposta ao app real
O arquivo do estúdio virou a referência, e um novo arquivo no Figma passou a ser a base do dia a dia. O trabalho foi equilibrar a proposta original com as necessidades do negócio e as limitações do código e do time de desenvolvimento. A home é o melhor exemplo. A proposta do estúdio separava saldo e limite em um carrossel e organizava os serviços por marca, com blocos grandes de operadoras, aplicativos e jogos. Na prática, o app precisava atender a diferentes tipos de conta (carteira digital, conta pré-paga e conta com limite) e receber novos produtos sem refazer a tela a cada lançamento.
Refizemos a home por completo: o topo passou a mostrar um único valor, o "Total a gastar", com atalho para adicionar dinheiro; os serviços ganharam uma grade organizada por tarefa, como recarga de celular, pagamento de contas, cartão de transporte e transferência; e as marcas foram agrupadas em categorias, como deliveries, streamings e jogos. Um carrossel de banners abriu espaço para comunicar novidades e pedir a avaliação do app. Com o tempo, o app evoluiu e foi se distanciando cada vez mais do arquivo de partida. Em agosto de 2020, toda a migração dos fluxos antigos para os novos estava concluída.
Um time pequeno e próximo
Com cerca de 30 pessoas, a empresa trabalhava no mesmo ambiente, e o design conversava diretamente com produto, QA, desenvolvimento, dados, risco, liderança e sócios. Além do app, a frente incluía peças de e-mail marketing e algumas ativações. Essa troca constante tornava as decisões rápidas e permitia acompanhar cada entrega, do fluxo desenhado até a implementação.
03 A solução

Novas jornadas
O cadastro foi a primeira jornada a mudar de rosto. As perguntas de segurança cronometradas saíram, e o fluxo foi remodelado para um cadastro básico a partir do CPF. O app explica por que pede cada permissão do celular, uma de cada vez, pede CPF e celular, confirma o número por SMS e traz só o nome já preenchido; o restante, como e-mail e endereço, o próprio usuário informa, com busca por CEP. A validação de identidade passou a usar foto do documento e selfie com o documento, e a análise acontecia no backoffice, enquanto o usuário via uma tela de espera ilustrada até a conta ser criada.
Com a base migrada, seguimos para a evolução dos fluxos. Criamos e melhoramos jornadas para resolver as dores apontadas, como cupons promocionais e empréstimo pessoal, sempre com a parametrização de regras de negócio que cada produto exigia. O empréstimo pessoal ganhou fluxos de oferta, de contratação, com selfie e foto de documento, e de assinatura digital do contrato, e estava começando a ser implementado em 2021. Nem tudo o que foi desenhado para a V2 seguiu adiante naquele momento, e parte dos fluxos entrou no app depois. Também desenhamos a jornada do Pix, que não chegou a ser implementada até junho de 2021, mas ficou toda documentada para uso futuro.
Um app para quem tem pouca intimidade com tecnologia
O app existia apenas para Android, o sistema da maior parte do público das classes C, D e E. O tom de voz explicava cada passo de forma simples e direta, porque a preocupação constante era com quem tem dificuldade com tecnologia, como pessoas mais velhas. Esse cuidado servia de norte no desenho de cada fluxo. As interfaces aplicavam a marca nova da Jeitto, criada pouco antes, e ganharam animações em After Effects, exportadas em Lottie para o desenvolvimento. A principal estava na tela de abertura do app, em que o logotipo da Jeitto da época era escrito traço a traço enquanto o app carregava.
Um design system inicial
Junto com os fluxos, organizamos um design system ainda inicial, na época do Material Design 2 e de um Figma sem variantes. O foco estava na construção dos elementos básicos e na organização dos componentes em pastas, para que o time conseguisse encontrar e reutilizar cada peça. Era a base que permitiu componentizar o app nas evoluções seguintes.
4,6 de 5 na Google Play
Nota do app antes e depois da V2
- Ago. 20193,0 estrelas
- Jun. 20214,6 estrelas
+100% de usuários
A base mais que dobrou em menos de um ano depois da V2
Resultado
Após o lançamento da nova versão, a Jeitto teve um salto na procura por contas, e a base de usuários cresceu mais de 100% em menos de um ano. A nota do app na Google Play, que era de 3,0 em agosto de 2019, chegou a 4,5–4,6 em junho de 2021.
Impacto
Um app de crédito mais claro e acolhedor, que dobrou a base de usuários e levou a nota da Google Play de 3,0 para 4,6.
Ficha técnica
- Design de produto
- Caio Colin
- Discovery e proposta inicial
- Estúdio PQÑ (Por Que Não?)
- Product owner
- Priscila Macedo
- Tech lead
- Paulo Romano
- QA
- Tainã Lautenschlager
- Desenvolvimento Android
- Fábio Rachid, Rafael Caetano, Tília Nogueira, Patrício Dutra